
Nada a fazer, amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Natália Correia, Sonetos Românticos
Publicado por MARIAMAR em agosto 2, 2004 01:52 AMBelo soneto. Não conhecia Natália Correia. Obrigada pela visita, uma ótima semana e um beijo.
Afixado por: adelaide amorim em agosto 2, 2004 02:36 AMObrigada pela visita. Não conhecia Natália Correia, belo soneto. Um abraço e uma ótima semana.
Afixado por: adelaide amorim em agosto 2, 2004 02:38 AMBonito como tudo de Natália Correia, mas triste. Imagem a condizer com o soneto. bjs
Afixado por: wind em agosto 2, 2004 10:08 AMMagnífica edição, tão ternurenta, Mariamar.
Bj.
Tenho estado fora mas valeu este regresso!
Afixado por: Sara Xavier em agosto 2, 2004 05:07 PMOs dois primeiros versos já valiam o poema. Os quatorze são um deslumbramento.
Beijo.