julho 31, 2004

SÁBADOS


Franz Marc, Die kleinen gelben Pferde

Morte procriadora de bens que são ser e nada ter
Olhos de seda e aço penetrando a fronteira
Guerreiro sem espada cansado das pedras que lhe arremetem
E a terra lavrada com flores de pêssego e bandeiras de milho
Misturando orvalho chuva água da mina ao leite branco e doce
E nos baldios cabras buscando secos arbustos sem amoras
E sem amores
Aos sábados visito-te de longe monto num cavalo verde
E fico à porta atrás das grades
Não me perguntas se durmo se estou acordada nada nunca em vida
me perguntaste
Na coragem do pacto da solidão
E eu passo no cavalo verde cavalo limpo de sela
Mas pelas grades não passam nossas lágrimas brancas
E eu passo ao sábado todos os sábados e fico atrás das grades
São tardes calmas em que os homens velhos de pijamas às riscas
Dependuram as mãos nos parapeitos das janelas e olham para fora
E as mulheres velhas encostam os peitos derrotados à tristeza dos
próprios braços
E olham também


Matilde Rosa Araújo
Colóquio Letras, nº 73, Maio de 1983



quase lá!... ;-)**
Dicionário da Pintura Universal

Publicado por MARIAMAR em julho 31, 2004 08:33 PM
Comentários

Tornando-me repetitiva: belo post. O conjunto palavras/imagem está belo. bjs*

Afixado por: wind em julho 31, 2004 09:22 PM

poema triste para um dia quase bom...este poema tem muita força!
:-)*

Afixado por: inomi em agosto 1, 2004 12:25 AM

Triste. E belo. Beijo.

Afixado por: Márcia em agosto 1, 2004 10:58 AM