
Magritte, Procura do Absoluto
No amor também as palavras
são necessárias. Os gestos talvez não bastem.
Nem a chuva lá fora enquanto o amor se inflama.
Nem o sussurro nas árvores quando os corpos serenam.
Nem a melopeia das águas quando as bocas se esmagam.
Nem o fulgor dos olhos quando a paixão se impacienta.
Penso no amor e logo invento palavras
e logo as palavras se põem ébrias.
Penso no amor e logo as palavras
se soltam como fogosas aves
a que não pergunto o rumo.
Penso no amor e logo preciso
que as palavras digam
que amor é este em que penso e em que grito.
Fernando Namora
Colóquio letras, nº 73, Maio de 1983
Palavras, gestos, olhares que abraçam e, envolvem, tal como a tua edição, de seda envolta.
Bj, Mariamar.
Magritte e Namora, sim! boa dupla! por vezes, sou tentado a pintar Magritte ... com letras!
gostei mto! bjs
Afixado por: DonBadalo em julho 28, 2004 06:08 PMPalavras, acções, olhares, toques, sentir, tudo isso e mais é preciso para o amor. Bela imagem. Espectacular post! bjs
Afixado por: wind em julho 28, 2004 08:30 PMSempre a tua incrível sensibilidade Maria, a captar a beleza que apesar de tudo ainda existe no Mundo.
Beijos amiga
Afixado por: Conversasdexaxa em julho 28, 2004 09:55 PMTodos pensamos e gritamos, às vezes sem voz, o amor que escondemos por detrás das palavras, dos versos… Esta imagem, divina - c.
Afixado por: p em julho 28, 2004 10:00 PMLindo na simplicidade. Diz muito. Um autor esquecido.Bjo.
Afixado por: leonor em julho 29, 2004 01:37 AMsabes que cada vez que venho aqui assustu-me?com a quantidade de poemas que conheço e gosto, é estranho. Então quando li o Rilke...fantástico. Beijo enorme
Afixado por: ccc em julho 29, 2004 06:18 PMNa cidade onde sempre vivi, Campina Grande, havia um Congresso de Teoria e Crítica Literária e Seminário Internacional de Literatura. Em um desses congressos, no final da década de 70, ou início da década de 80, não consigo precisar a data, Fernando Namora participou desses eventos, como palestrista. Eu cursava a faculdade de Letras e fui convidada pela minha professora Elizabeth Marinheiro, a mentora desses congressos, a participar como recepcionista. Houve uma pequena reunião entre alguns escritores (o Fernando também) e pediram-me para que eu servisse um cafezinho. Derramei o conteúdo de uma xícara nos escritos do Sr. Fernando. Morri de vergonha. Ele percebeu meu constrangimento e ficou muitíssimo preocupado para que eu não me sentisse tão mal. Adorei encontrar um poema dele por aqui. Viajei até a minha juventude.
Afixado por: Graças em julho 29, 2004 07:55 PMmeu sonho é descobrir a mina de ouro onde vc encontra tantos poemas bons...
Afixado por: Linaldo em julho 29, 2004 09:49 PM