
Rodin, Orphée
Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade do meu sofrimento.
Outros, felizes, sejam os rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.
Bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.
Miguel Torga
há poetas que mostram as armas - porquê tantas vezes os poetas têm de se defender? - bonitos versos - c.
Sem palavras...;)
Afixado por: wind em julho 16, 2004 05:02 PMBom fim de semana para ti. Descansa, mas descansa mesmo. Parto sem deixar um beijo no Sulanorte, já tentei inúmeras vezes, todas sem êxito. Beijos.
AURORA
A poesia não é voz - é uma inflexão.
dizer, diz tudo a prosa. No verso
nada se acrescenta a nada, somente
um jeito impalpável dá figura
ao sonho de cada um, expectativa
das formas por achar. No verso nasce
à palavra uma verdade que não acha
entre os escombros da prosa o seu caminho.
E aos homens um sentido que não há
nos gestos nem nas coisas:
voo sem pássaro dentro.
Adolfo Casais Monteiro
Afixado por: Pedro em julho 16, 2004 06:53 PMUm beijo para ti do pássaro que ruma ao sul, numa curta migração. Obrigado peló que tens deixado pelo caminho. Até breve :)
Afixado por: yardbird em julho 16, 2004 11:20 PMPronto; vou dormir feliz. Não preciso ler mais nada. Um beijo enorme, amiga.
Afixado por: Márcia em julho 17, 2004 01:36 AM