
Arpad Szenes
Ressurgiremos
Ressurgiremos ainda sob os muros de Cnossos
E em Delphos centro do mundo
Ressurgiremos ainda na dura luz de Creta
Ressurgiremos ali onde as palavras
São o nome das coisas
E onde são claros e vivos os contornos
Na aguda luz de Creta
Ressurgiremos ali onde pedra estrela e tempo
São o reino do homem
Ressurgiremos para olhar para a terra de frente
Na luz limpa de Creta
Pois convém tornar claro o coração do homem
E erguer a negra exactidão da cruz
Na luz branca de Creta.
Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto
Publicado por MARIAMAR em julho 2, 2004 10:00 PMQue grande perda. Decerto fez-se baça a luz limpa de Creta. Beijo, amiga.
Afixado por: Márcia em julho 2, 2004 10:39 PMHj, sem comentários. Apenas deixando beijo e o desejo de um fim de semana cheio de paz e muito amor!
Afixado por: Loba em julho 3, 2004 01:04 AMHoje é um dia triste.
Afixado por: leonor em julho 3, 2004 01:07 AMNum deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004).
Volto pra agradecer o presente, querida. Me comoveu. Só vc pra ter gestos bonitos assim. Um beijo enorme.
Afixado por: Márcia em julho 3, 2004 04:15 AMcarentes da lanterna
que ilumina...c.
Só: R.I.P.
Afixado por: wind em julho 3, 2004 03:25 PMNum dia de luto nacional, só te posso dar a voz da tua (nossa) Sophia. Um beijo.
A Hora da Partida
A hora da partida soa quando
Escurecem o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
As árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Quem és tu
Quem és tu que assim vens pela noite adiante,
Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?
A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas.
A história da noite é o gesto dos teus braços,
O ardor do vento a tua juventude,
E o teu andar é a beleza das estradas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Minha cara MARIAMAR...li seu comentário, não sei se referencial, já que iniciava com "Barco", no blog da Loba...e li a a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, a quem não conhecia e isso já foi corrigido...e vim te visitar e foi um cais manso que vi e ao qual me ancorei por algum tempo, bebendo das palavras de seu blog....pausa no tempo...calma...paz...
Afixado por: Um Barco em julho 3, 2004 03:53 PMHá um tempão que deambulo pelo seu espaço. Não sei como lhe expressar a minha gratidão. Obrigado, Mariamar.
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen