junho 26, 2004

Uma voz na pedra

Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.

Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha tristeza é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

António Ramos Rosa

Publicado por MARIAMAR em junho 26, 2004 05:53 PM
Comentários

Linda imagem. Quanto ao que está escrito, fiquei sem palavras para explicar o que senti/sinto. Só consigo escrever: que as palavras nos ajudem...

Afixado por: wind em junho 26, 2004 11:32 PM

se pensas como Ramos Rosa, que a palavra te encontre – c.

Afixado por: peres feio em junho 27, 2004 03:02 AM

e quem não deseja "a" palavra?

belíssimo!

bom domingo.

Afixado por: Pedro em junho 27, 2004 11:18 AM

Encontraste a palavra?
Bom domingo para ti, amiga Maria.
Beijitos

Afixado por: LetrasAoAcaso em junho 27, 2004 11:41 AM