
William Bouguereau (1825-1905)
Jeune fille se defendant contre l'amour
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as feições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e bastam que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor?! O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar menos.
António Vieira, Sermão do Mandato
Gostei da imagem, amei o texto. Dia bom, Maria. Um beijo grande.
Afixado por: Pedro em junho 15, 2004 11:02 AMNo fundo, tudo acaba com o tempo, quando a memória deixa de habitar o 'coração', quando não a transmitimos, para que viva noutros. Para que a estimem como vida de vida passada.
Bj, Mariamar.
Desta vez e à falta de melhor, curvo-me.
Revisitar A.Vieira, um prazer dos mais genuínos.
Conjunto imagem/texto, de excelência.
Um bom resto de dia, Maria e beijos do teu amigo Zé.
Lindo post em todos os sentidos:)
Afixado por: wind em junho 15, 2004 04:01 PMAmar, não amar. Em que ficamos...? Eis a questão
Afixado por: wind em junho 15, 2004 06:49 PMJá não acredito no amor...
Afixado por: wind em junho 16, 2004 04:00 PMDe passagem para te deixar outro beijinho e o desejo que tudo esteja dentro dos parâmetros que desejas. Pelo menos dos possíveis.
Beijos querida amiga
Conheço muito mal o pd António Vieira e surpreendo-me, cada vez mais, qundo o leio. Grata por este afago.
Afixado por: Ardelua em junho 17, 2004 12:44 AM