
O meu mundo tem estado à tua espera; mas
não há flores nas jarras, nem velas sobre a mesa,
nem retratos escondidos no fundo das gavetas. Sei
que um poema se escreveria entre nós dois; mas
não comprei o vinho, não mudei os lençóis,
não perfumei o decote do vestido.
Se ouço falar de ti, comove-me o teu nome
(mas nem pensar em suspirá-lo ao teu ouvido);
se me dizem que vens, o corpo é uma fogueira –
estalam-me brasas no peito, desvairadas, e respiro
com a violência de um incêndio; mas parto
antes de saber como seria. Não me perguntes
porque se mata o sol na lâmina dos dias
e o meu mundo continua à tua espera:
houve sempre coisas de esguelha nas paisagens
e amores imperfeitos – Deus tem as mãos grandes
Maria do Rosário Pedreira, O Canto do Vento nos Ciprestes
Perfeito:) A inevitável fuga...
Afixado por: wind em junho 7, 2004 11:54 PMo martírio, segundo Rosário – os difíceis caminhos da vida, para muita gente .
Mariamar, que belo poema com a forte imagem a sublinhar! – fica bem - c.
Gostei, não conhecia. Bjo.
Afixado por: leonor em junho 8, 2004 03:00 PMO poema é lindo. Termina com dois versos sublimes, Mariamar.
Bj.