Eu sei, não te conheço mas existes.
Por isso os deuses não existem,
a solidão não existe
e apenas me dói a tua ausência
como uma fogueira
ou um grito.
Não me perguntes como mas ainda me lembro
quando no outono cresceram no teu peito
duas alegres laranjas que eu apertei nas minhas mãos
e perfumaram depois a minha boca.
Eu sei, não digas, deixa-me inventar-te.
Não é um sonho, juro, são apenas as minhas mãos
sobre a tua nudez
como uma sombra no deserto.
É apenas este rio que me percorre há muito e desagua em ti,
porque tu és o mar que acolhe os meus destroços.
É apenas uma tristeza inadiável, uma outra maneira de habitares
em todas as palavras do meu canto.
Tenho construído o teu nome com todas as coisas.
tenho feito amor de muitas maneiras,
docemente,
lentamente
desesperadamente
à tua procura, sempre à tua procura
até me dar conta que estás em mim,
que em mim devo procurar-te,
e tu apenas existes porque eu existo
e eu não estou só contigo
mas é contigo que eu quero ficar só
porque é a ti,
a ti que eu amo.
Joaquim Pessoa, Os Olhos de Isa
Lirismo em alta dose, a ponto de uma overdose. Delícia morrer assim.
Afixado por: Graças em junho 2, 2004 02:54 AMCom este "morri" mesmo...
Afixado por: wind em junho 2, 2004 09:48 AMHá muito que não relia Joaquim Pessoa foi bom encontrá-lo por aqui.
Afixado por: Sara Xavier em junho 2, 2004 04:16 PMdemolidor - belo - c.
Afixado por: peres feio em junho 2, 2004 10:36 PMO poema é insufismavelmente bonito.
Não sei, até que ponto, esse "alguém" existe, e quantas almas se destroem neste caminho da vida, na demanda de algo, que só na imaginação existe.
Bjs, Mariamar.
Hi, just popped in here through a random link. Cool site, keep this good work up :-)
government grants
Afixado por: government grants em junho 29, 2004 10:47 PM