maio 28, 2004

Há palavras como mulheres nuas violentamente sumptuosas
Escrevê-las ou lê-las é como tocar os flancos de uma indolente lua
Às vezes têm um rosto de águia e de andorinha
e redondos seios de melodiosa sereia
Como eu amo o seu corpo as suas maravilhosas minúcias
e a sua larga ondulação unânime!
As palavras e o corpo não se separam como a luz da luz não se distingue
e se chamo ao púbis de uma mulher uma crespa concha de cabelos
é a palavra mesma que brilha e coincidindo apaga e revela a própria coisa
Por isso já não sei se estou a falar de uma palavra ou de uma mulher
ou se não estou a esculpir uma flexível estátua
de longas pernas robustas mas voluptuosamente delicadas
Esta clara oscilação é o movimento mesmo da matéria inaugural
da palavra que cria a transparência e amanhece na noite
com frágeis ou duros diademas das suas sílabas solares

António Ramos Rosa, Primeira Vez


Dependente de computador caprichoso, a todos os que não tenho podido visitar, um especial abraço.

Publicado por MARIAMAR em maio 28, 2004 01:48 AM
Comentários

espectaculares estas palavras: muito obrigada:)

Afixado por: wind em maio 28, 2004 10:08 AM

Lindo poema. Realmente... aposto que também escreves. :)
Obrigada pelo recado, diz por mim uns impropérios ao teu pc :)) Olha a máquina atrevida!

Afixado por: FataMorgana em maio 28, 2004 02:41 PM

Grato pela visita e pela Primeira vez.
Tomara que seu computador volte logo a pleno funcionamento.

Afixado por: Manoel Carlos em maio 28, 2004 04:38 PM

Desde que o pc não pife, não seja a sua última vez, cá nos aguentamos. E, podemos apreciar sempre, "uma primeira vez".
Bjs.

Afixado por: LE. em maio 29, 2004 02:09 AM