Todos os dias as suas águas pequenas afloram os meus olhos. E eles, que morriam de inanidade, ganham então súbitos brilhos, abrindo respiradouros para a vida. A pureza, quando não é um olhar infantil, é uma aprendizagem entre venenos subtis. Raramente se alcança, e quando isso acontece já os nossos olhos estão secos - como poderá tão melindrosa flor abrir no deserto? Por isso estas águas, por mais exíguas, me são tão preciosas.
Eugénio de Andrade, Vertentes do Olhar
Lindo...
Afixado por: wind em maio 26, 2004 11:35 AMMuito bem escolhido.
Afixado por: Sara Xavier em maio 26, 2004 02:49 PMPalavras de cristal puro de que só este Poeta detem o segredo. Grata pela bela escolha e um beijo também.
Afixado por: leonor em maio 26, 2004 03:25 PMEugénio é o mestre - tu a eleita para fazeres a ponte. grato. c.
Afixado por: peres feio em maio 27, 2004 12:27 AMBelíssima escolha, Mariamar.
Bjs.