Oh! como se me alonga, de ano em ano,
a peregrinação cansada minha!
Como se encurta, e como ao fim caminha
este meu breve e vão discurso humano!
Vai-se gastando a idade e cresce o dano;
perde-se-me um remédio, que inda tinha;
se por experiência se adivinha,
qualquer grande esperança é grande engano.
Corro após este bem que não se alcança;
no meio do caminho me falece,
mil vezes caio, e perco a confiança.
Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança,
se os olhos ergo a ver se inda parece,
da vista se me perde e da esperança.
Luís de Camões, Lírica Completa II
Publicado por MARIAMAR em maio 19, 2004 11:42 PMPois...há dias assim, mais especificamente noites...O cansaço é "pesado"...
Afixado por: wind em maio 20, 2004 12:04 AMLuís de Camões! Como gosto de muitos de seus poemas! Da mesma forma que gosto de Fernando Pessoa, Drummond, Manuel Bandeira... Embora não necessariamente nessa ordem. Senti-me brindada.
Afixado por: Graças em maio 20, 2004 12:56 AMRecordar Camões é ouvir a poesia!
Afixado por: Sara Xavier em maio 20, 2004 09:49 AMai, ai, ai...
como é bom vir por cá e encontrar camões...