Aos ventos espalhei a cinza dos meus gestos.
Num desprezo de mim, fiz-me poeta,
traí os meus sonhos, enchendo vãos papéis
de traços sem sentido e talvez falsos.
Fui poeta como alguns se suicidam,
como outros partem sem destino certo.
Sonhei-me longe de tudo o que possuo
- longe de mim, longe de quem?-
afastado, sem contas a prestar...
Foi longo o meu engano. Agora vejo
que nunca de mim eu me afastei...
Adolfo Casais Monteiro, Confusão
Publicado por MARIAMAR em maio 18, 2004 11:28 PMDe facto este estado é uma "confusão"...Quanto mais se foge, mais se cai dentro de si...Obrigada por mais um belo "Momento":)
Afixado por: wind em maio 18, 2004 11:44 PMhonra seja feita aos poetas que se reconhecem! c.
Afixado por: peres feio em maio 19, 2004 08:45 AM'after changes upon chages, you're more or less the same'já dizi uma canção de antigamente.
um beijo.
...sem deixar de ser poeta! Vivemos dentro e fora de nós próprios, mas casa da alma, há só uma.
Um abraço.