maio 09, 2004

Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal qual passaria qualquer dono?
Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono
Nenhum súbito súbdito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha
qualquer. Mas eu que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha.

Ruy Belo, Todos os poemas

Publicado por MARIAMAR em maio 9, 2004 12:37 AM
Comentários

Já conhecia este poema, mas fico sempre angustiada quando o leio. Muitas vezes já me senti assim. Detesto o Outono...Isto não significa que o poema não seja lindo:)

Afixado por: wind em maio 9, 2004 12:56 AM

E que havemos de fazer nós àquelas angústias, àquelas profundas tristezas tantas vezes depressivas que o outono, todos os anos, teima em oferecer-nos? Um Xi

Afixado por: Ardelua em maio 9, 2004 07:23 PM