maio 05, 2004

Através da cela ouve tropel de cavalos e alarido de muito povo, a entrecortar um sussurro distante, confuso, de música e tiros e vozes... É a Feira. Gineto anima-se, crente de que os companheiros virão buscá-lo neste dia de festa, trazendo Rosete com eles. Encosta a face às grades, espera o regresso à vida livre.
Uma voz canta, mesmo por baixo da janela, uma canção que ele ouviu, certa tarde, no alto do mirante. E então grita:
- Gaitinhas! Tou aqui, Gaitinhas!
Mas a voz afasta-se. Gaitinhas-cantor vai com o Sagui correr os caminhos do mundo, à procura do pai. E quando o encontrar, virá então dar liberdade ao Gineto e mandar para a escola aquela malta dos telhais - moços que parecem homens e nunca foram meninos.

Soeiro Pereira Gomes, Esteiros

Publicado por MARIAMAR em maio 5, 2004 12:30 AM
Comentários

Li este livro há muitos anos:)Agora voltei para trás. Incrível...A tua selecção é espectacular:-)

Afixado por: wind em maio 5, 2004 12:50 AM

visitando o blog da graçsa, parei aqui. estou encantada com seus post! lindo blog! prazer. cal

Afixado por: cal em maio 5, 2004 01:03 AM

Os rapazes que nunca foram crianças... esse foi o espelho deste País até há bem pouco tempo. Nem o 25 de Abril resolveu este problema, limitou-se a aligeirá-lo! O trabalho infantil continua, e sob formas muito requintadas. Ainda bem que trouxeste este tema aqui, vou roubá-lo e sei que vais gostar. Um beijo.

Afixado por: Ardelua em maio 5, 2004 01:50 AM

E neste sul encontro um pedacinho dos Esteiros, que me recusei a ler quando devia (li um resumo e fiz o teste!) e mais tarde li com todo o gosto, claro! :)

Afixado por: FataMorgana em maio 5, 2004 08:42 PM