
Eu vinha de comprar fósforos
e uns olhos de mulher feita
olhos de menos idade que a sua
não deixavam acender-me o cigarro.
Eu era eureka para aqueles olhos.
Entre mim e ela passava gente como se não passasse
e ela não podia ficar parada
nem eu vê-la sumir-se.
Retive a sua silhueta
para não perder-me daqueles olhos que me levavam espetado.
E eu tenho visto olhos!
Mas nenhuns que me vissem
nenhuns para quem eu fosse um achado existir
para quem eu lhes acertasse lá na sua ideia
olhos como agulhas de despertar
como íman de atrair-me vivo
olhos para mim!
Quanto havia mais luz
a luz tornava-me quase real o seu corpo
e apagavam-se-me os seus olhos
o mistério suspenso por um cabelo
pelo hábito deste real injusto
tinha de pôr mais distância entre ela e mim
para acender outra vez aqueles olhos
que talvez não fossem como eu os vi
e ainda que não fossem, que importa?
Vi o mistério!
Obrigado a ti mulher que não conheço.
Almada Negreiros
Lá estão os tais momentos de "só uma vez na vida"!
Não conhecia. Obrigado, Mariamar.
Um abraço.
Mais uma vez Almada Negreiros:) Leio e voo de tão bonito que é:-) Sorrio ao mesmo tempo porque me entra nos sentidos tudo o que leio;) Obrigada por estes momentos de rara bebelza:)))
Afixado por: wind em abril 27, 2004 07:54 PMCorrecção: queria escrever "rara beleza"
Afixado por: wind em abril 27, 2004 07:55 PMde novo, a beleza em forma pura: instantâneos do viver. um beijo, Flor, por mais esse.
Afixado por: Márcia em abril 28, 2004 04:21 AMestas prendas que atiras aos que viajam para Sul, a alguns atingirão mais que a outros…
Afixado por: peres feio em abril 28, 2004 01:11 PM