Então eu mais-vi: toalha de gente sobre altar-mor face a sacrário: Carmo, o com e sem ruínas, bebedoiro e muralhas linhas de céu que nem talha onde apontarem baterias-velas pretas enristadas. As árvores: cheias de corpos com cabeças tão viventes lamparinas: o cabelo de minha mulher também arborescia: tanta sarça ardendo nessa espera então tudo. […] Se isto esturra vai ser uma contusão dos fiéis que nem maremoto do Cisma. […] Ah, Maria S., ali no Largo que hoje me parece mais estreito como se olhos me fossem nele ameninados das Zeiss e loucas moções, estava orando a gente um poder-em-Ser. […] Tal como em Missa havia um não saber de ires e vires e flexões e genuflexões, braços ao alto do puto tropa em Kyries de eu a ver: a cara aflita a dizer ao oficiante longe a eucaristia bronca: sangue e esquírolas pelo templo ao léu, holocausto campal se desse para o torto. Oficiante de dentro, GNR sacrista de emperrado sacrário, fazia que vinha e que não vinha. Cara via-se bem borrada de nec plus ultra. Eu lia na boca do salgueiro, Maia que esse depois foi: a porra, pá. E na cara dele à escuta os berros do bispo recém que o havia de estar a atazanar da cripta daquela Roma: […]«Afinfa-lhes, pá, ou pensas que é só o Carmo que está em jogo. Vai». E ele foi […] Ah, grande celebrante que lá havia de estar tão oculto em câmara escura quanto estes que custavam a ir ao Brasil de torna-viagem, sem terem feito violência nenhumíssima ou terror, excepto o que mandavam ter. O esquecido que vai em nós todos da evitada transmutação do Carmo em missa roxa.
Maria Velho da Costa, Missa in Albis
Publicado por MARIAMAR em abril 25, 2004 12:02 AMHá que lembrar sempre Salgueiro Maia! Obrigada por isso:)
Afixado por: wind em abril 25, 2004 02:46 AMGrato pela visita ao Agreste.
Tentei vir aqui antes, mas o endereço que você deixou lá estava errado.
Isto cá é uma antologia, certamente retornarei outras vezes.
Fraterno abraço.
Afixado por: Manoel Carlos em abril 25, 2004 04:25 AMsete anos antes, teria vindo em Panhard de Santarém a Lisboa - passei dias no interior dessas máquinas, sem qualquer objectivo - em 74 a viagem foi rumo à liberdade. c.
Afixado por: peres feio em abril 25, 2004 11:16 AMSubscrevo o comentário de Manoel Carlos :)
Afixado por: FataMorgana em abril 26, 2004 12:32 AMQue festa aqui se recorda. Por ser única e para que não deixe de ser única, é essencial que continue a ser recordada. Xi's
Afixado por: Castro Cola em abril 26, 2004 10:28 PM