Do meio dos telhados donde gatinhava
o regime que fora de salões e enxovias
bolçava contra a rebentação da cidade
a pedrada de tiros do rancor acossado.
A biltre obediência das inquirições,
das negaças, dos traços toldados,
dos pátios chulos onde grimpavam torturas
como hera de sangue pelas mãos caladas,
ia ainda metralhar à queima-roupa.
Sobre ti, sobre o outro além, sobre a alegria de todos.
A sanha era qualquer um: matavam
esses últimos sinais do que tínhamos sido
Saíam em braços anónimos do erro nocturno
para a claridade que ninguém ainda conhecia.
Joaquim Manuel Magalhães
Este poema é para aqui, que no 25 de Abril
estava com o Rouvière.
é bom saber que ainda há quem se lembre e o dê a lembrar a outros. gostei do que vi e li. cumprimentos.J.
Afixado por: joão nunes em abril 17, 2004 01:18 AMObrigado Mariamar. Irrequieto como era por essa altura, sabe-se lá se foi o Rouvière que me salvou....
Parabéns pelo seu blog.
Médico Explica reconhecido.
Afixado por: Médico Explica em abril 17, 2004 07:27 PMO sulparati continua profundo. A recordação que aqui faz é-nos indispensável. Recordando será a melhor forma de evitar a repetição de tão severa mordaça.
Afixado por: Castro Cola em abril 17, 2004 08:03 PMé talvez a 2ª ou a 3ª vez que aqui deixo um curto apontamento, comentário não lhe chamo porque não tenho esse fôlego. Gostei de ter visto neste espaço, que me habituei a frequentar nas minhas leituras diárias pela blogosfera, onde há sempre poesia escolhida com critério, um poema de JMM que, pela sua temática, não é conhecido do grande público de hoje. Eu tive a sorte de viver o dia 25 de Abril de 1974, vivi cada minuto daquele e dos dias que se lhe seguiram até ao 1º de Maio de há 30 anos atrás.Agradeço com alguma comoção que não me envergonho de confessar que tenha colocado aqui o lado negro desses dias. Bem haja!
Afixado por: Bettencourt em abril 17, 2004 11:00 PMConvém nunca esquever o 25 de Abril:)
Afixado por: wind em abril 18, 2004 10:58 AMand star
Afixado por: star-and em agosto 2, 2004 01:33 AM